22 de outubro de 2013

Reforma e Contra-Reforma

Martinho Lutero (Pintura: L. Cranach, 1529
Após a Reforma Protestante protagonizada por Martinho Lutero na Alemanha (Luteranismo), Calvino em Genebra (Calvinismo), Menno Simons em Zurique (Anabistas) e Henrique VIII em Inglaterra (Anglicanismo), o Papa Paulo III viu-se obrigado a convocar o Concílio de Trento como resposta à Reforma Protestante que se expandia no território europeu. O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, é conhecido como Concílio da Contra-Reforma.
Não foram só as práticas religiosas os motivos de divergências entre Protestantes reformistas e Católicos, os conflitos políticos entre a autoridade da Igreja Católica Romana e os governantes das monarquias europeias acentuaram-se. A Europa dos Estados, governados por monarquias absolutas, estavam a implementar-se e tais governantes desejavam para si o poder espiritual e ideológico da Igreja e do Papa, muitas vezes para assegurar o direito divino dos reis. A cobiça pelo quinhão despendido pelos crentes, com as bulas e as indulgências, fizeram com que as teses protestantes tivessem o apoio da nobreza. Por outro lado, a burguesia capitalista sentia-se mais confortável aderindo às teses protestantes que não viam na usura um comportamento ético condenável ao contrário da Igreja Católica Romana. Assim, Martinho Lutero proferiu três sermões contra as indulgências em 1516-17 e em 31 de Outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Catedral de Wittenberg que condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja. Esse facto é considerado como o início da Reforma Protestante


As 95 Teses de Lutero, Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum, 1522. in wikipedia
Contra a crescente disseminação das ideias protestantes, nomeadamente no centro e norte da Europa  provocando a maior divisão no seio do cristianismo, a Igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento, que resultou no início da Contra-reforma ou Reforma Católica, na qual os Jesuítas tiveram um papel importante. 

No Concílio tridentino todo o corpo de doutrinas católicas havia sido discutido à luz das críticas protestantes. Após dezoito anos de trabalho, interrompido várias vezes, os teólogos elaboraram os decretos que depois foram discutidos pelos bispos em sessões privadas, tendo sido promulgadas solenemente em sessão pública em 1562.
O Concílio de Trento não só condenou como definiu o pecado original recuperando entre outras medidas o Tribunal do Santo Ofício (inquisição). A criação do Index Librorum Prohibitorum (Lista dos Livros proibidos) com uma relação de livros proibidos pela igreja entre outras medidas reafirmaram a autoridade papal, a manutenção do celibato, a supressão de abusos envolvendo indulgências e a adopção da Vulgata como tradução oficial da Bíblia. No que diz respeito à Arte o Concílio de Trento definiu, de forma explícita, que esta deveria estar ao serviço dos ritos da Igreja, através de imagens, consideradas como elementos mediadores entre o homem e Deus.


Index Librorum Prohibitorum - 1596



A Arte a partir de então deverá estar sob controlo da Igreja Católica. O corpo renascido da Antiguidade Clássica deu lugar ao corpo elegíaco do Barroco. A arte Barroca será dominada pelo esmagamento do observador perante a teatralidade e a imponência dos espaços.